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Cenário vazio e iluminado em tons azuis do estúdio de debate eleitoral da TV Globo, com o mapa do Brasil estilizado no piso e logotipo das Eleições ao fundo.

Estúdio do debate presidencial da TV Globo vazio após o cancelamento do encontro nas eleições de 2026.

De Time-Life a Banco Master, esvazia-se o debate, enfraquece-se a república

Ricardo Aurélio Januário por Ricardo Aurélio Januário
2 de outubro de 2026
em Política, Economia
Tempo de leitura:18 minutos de leutura
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A emissora que já se envolveu com os EUA e trapaceou em debates cai ante a internet enquanto parece, novamente, derrubar a república.

A grande sucessão de eventos:

No dia 1º de outubro de 2026 [ou, na noite de ontem], tivemos uma notícia estarrecedora, o cancelamento do mais famoso debate presidencial do Brasil, o Debate na Globo. Algumas pessoas nem sabem que durante o período eleitoral acontecem várias sabatinas e debates, mas o debate da Globo é praticamente um evento cultural de âmbito nacional.

O debate foi cancelado após uma série de eventos:

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Os convidados, inicialmente, eram: Lula, Flávio, Caiado e Cury.

Primeiramente, Flávio Bolsonaro informou que participaria do debate, enquanto Lula, o único candidato representando a esquerda, disse que não participaria, aparentemente, porque os outros 3 tinham inclinações mais à direita, Cury, centro direita, Caiado, direita e Flávio extrema direita.

Quais decisões judiciais foram tomadas, que teriam causado a insegurança jurídica na Rede Globo?

1- Nunes Marques determina inclusão de Zema em debate:

FONTES: Gazeta do Povo, UOL, G1.

Decisão tomada em 29 de setembro, presidente do TSE, Kassio Nunes Marques toma decisão garantindo a participação do candidato Romeu Zema (NOVO) no debate. Ao acolher a tese de que os deputados que se filiaram ao partido deveriam contar para o mínimo exigido para que as emissoras tivessem a obrigação de convidar o candidato.

2- TSE veta púlpito vazio e perguntas para Lula no debate da Globo:

FONTES: UOL, FOLHA de SP

Ministra Estela Aranha (Tribunal Superior Eleitoral – TSE), na tarde do dia 1 de outubro (horas antes do debate), determinou, atendendo a um pedido da coligação de Lula, que  já havia confirmado que não participaria do debate):

  1. a) Proibiu a Globo de exibir o tradicional púlpito vazio com o nome de Lula no cenário;
  2. b) Vetou que os demais candidatos fizessem perguntas direcionadas ao candidato ausente.

Para a ministra, isso caracteriza sanção indevida contra o candidato ausente, gerando desequilíbrio na disputa.

3- Renan Santos pleiteava uma vaga com base em seu desempenho nas pesquisas eleitorais e na desistência de Lula:

FONTES: Terra, Metrópoles, SBT News

Renan Santos (MISSÃO) buscava participar do debate, com base na pontuação indicada pelas pesquisas de intenção de voto. Porém, seus pedidos foram negados. Porém, na tarde do dia 1º de outubro, o ministro Gilmar Mendes, do STF, concedeu liminar, obrigando a Globo a aceitar a participação de Renan Santos no debate. Alegando que a emissora previa regras para preenchimentos de vagas devido a desistências.

FONTES: CNN, O Globo, Congresso em Foco

 

Montagem em estúdio de debate eleitoral com bancada azul e microfones, mostrando, da esquerda para a direita, os candidatos presidenciais Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Da esquerda para a direita: Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema na composição de candidatos do debate presidencial de 2026.

O encerramento do debate público:

Diante destes fatos, a Rede Globo decidiu cancelar o debate, alegando insegurança jurídica e interferência externa.

FONTES: Jornal Nacional, G1

A Lei das Eleições estabelece que os organizadores de debates devem convidar partidos com o número mínimo de cinco parlamentares. A presença de outros candidatos é facultativa para os canais de comunicação.

Vale ressaltar que ao todo, em 2026, temos 12 candidatos:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT – 13)

Renan Santos (Missão – 14)

Hertz Dias (PSTU – 16)

Edmilson Costa (PCB – 21)

Flávio Bolsonaro (PL – 22)

Clariana Barão (DC – 27)

Rui Costa Pimenta (PCO – 29)

Romeu Zema (Novo – 30)

Veterinário Wilson Grassi (Democrata – 35)

Ronaldo Caiado (PSD – 55)

Escritor Augusto Cury (Avante – 70)

Samara Martins (UP – 80)

E a critério de curiosidade: Enquanto as grandes emissoras, como a própria Globo, que optou por ignorar os convidados que foram até lá, e cancelou o debate, para falar tanto de democracia, nenhuma convidou todos os 12 candidatos, para a população conhecer melhor suas propostas.

É curioso que, apenas 1 debate (até onde eu tenho conhecimento), alega ter convidado todos os 12 candidatos para o debate (ainda que apenas 5 tenham comparecido): Trata-se  do debate promovido pelos canais Kritikê e 3 Irmãos pelo YouTube e pela Rádio MyNews VIP FM.

FONTES: My News, Youtube Kritikê, Youtube Canal 3 Irmãos

É interessante ver, diante de tudo isso, que, mesmo sabendo da ausência de Lula, em momento algum a Globo parecia preocupada com a democracia, ao não convidar Renan Santos para preencher a vaga que já havia sido considerada disponível.

Além disso, a emissora mais rica e poderosa do Brasil, a que mais teria condições de fazer um debate com o maior número de candidatos, para honrar a democracia brasileira, parece ter se posicionado (e não pela primeira vez), com um arroubo antidemocrático.

Composição fotográfica em seis painéis verticais com cenário azul de debate eleitoral, exibindo, da esquerda para a direita: Renan Santos, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Luiz Inácio Lula da Silva de fato escuro e chapéu Panamá.
Da esquerda para a direita: Renan Santos, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Lula — os nomes no centro dos impasses e decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate presidencial da TV Globo nas Eleições de 2026.

O timing e as controvérsias:

O timing jurídico coincidiu com a presença de Renan Santos, que para alguns é rotulado como o Pablo Marçal presidenciável, que vem para polemizar o debate, e que teria feito Flávio Bolsonaro “desmaiar antes do debate” e cancelar sua, previamente, tão alardeada participação.

O estranho é o choro, falando de insegurança jurídica, alegando as interferências e com a conversinha de que “quem sai perdendo é o eleitor”, mas, se estivessem realmente preocupados com os eleitores, não seria melhor fazer um debate com os outros candidatos, do que simplesmente decidir, unilateralmente, tolher de todos os eleitores a oportunidade de conhecer as propostas dos outros candidatos?

Ou só estava querendo farmar em cima do eleitorado dos dois principais candidatos? Porque, podemos ver que, até antes do Flávio falar que não iria participar, o debate estava confirmadíssimo com os outros candidatos.

E o mais interessante é que a empresa que na década de 1960 foi beneficiada com o Acordo MEC-Time-Life, e abertamente apoiou ao Golpe de 1964, esteja tão indignada e preocupada com a democracia.

É importante ressaltar que em 1984, 2003 e 2013 foram publicados editorias questionando as decisões de apoio ao Golpe Militar, principalmente em 2013, com o título “Apoio ao golpe de 64 foi um erro”.

Reconhecimento tardio, que levou 50 anos para chegar, e coincidentemente, no ano em que a população se revoltava contra a política da época, a internet se popularizava e a cobertura dos protestos que se espalhavam pelo Brasil (com críticas, desde os 20 centavos, à violência policial e até a cobertura da Globo às manifestações).

E não vamos esquecer que a própria Globo reconheceu ter manipulado o debate do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, entre Lula e Collor. Utilizando a edição para favorecer o candidato alagoano.

FONTES: Memoria Globo, UOL

Mesmo assim, a jovem e não tão estável democracia brasileira, parece ter que se provar frequentemente, de várias formas, contra várias frentes, que parecem testar sua resistência e resiliência. Como casos mais recentes envolvendo Banco Master e ciberataques

Já que falamos de Banco Master:

É curioso notar que, o STF, tem ganhado mais protagonismo no noticiário, não por causa de decisões jurídicas, mas por questões financeiras… Com o caso Master, houve questionamento e declaração de suspeição de Dias Toffoli (STF) no caso Master (por causa do Resort Tayayá, viagens, sigilo e decisões heterodoxas sobre o caso de Vorcaro).

Diante dos questionamentos ao relator (Dias Toffoli), um novo relator foi definido: André Mendonça. E ainda houve a revelação pela jornalista Malu Gaspar (O Globo) e Lauro Jardim (O Globo), de contratos milionários do Banco Master com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes.

E não é curioso que esta tensão toda, foi puxando o STF cada vez para os holofotes? Com um foco tão grande em Alexandre de Moraes e sua esposa, principalmente após o início de vazamentos curiosos de mensagens do celular do Vorcaro?

Desde mensagens íntimas a mensagens de visualização única, que supostamente teriam sido enviadas de Vorcaro para Moraes, via recurso de visualização única (escrita nas notas, tirado um print e enviada a imagem de visualização única), e o print não foi apagado, por distração…

Com tudo isso acontecendo, a crise institucional aumentou, André Mendonça, o novo relator do caso Master no STF trabalhava com muito sigilo, debruçado em muito material, que, de novo, curiosamente, era vazado a conta-gotas.

As gotinhas de veneno… Digo, de mensagens vazadas, e decisões de Mendonça, amplificaram a crise, a ponto de, em setembro de 2026, a poucos dias das eleições presidenciais, uma onda de transparência tomou conta do STF, que resolveu que a transparência a um caso que abalava os pilares da república deveriam ser respeitada… Ou quase.

Com a derrubada de vários sigilos, descobrimos relatórios da PF contra ministros do STF, que Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, era investigado por corrupção e outras coisas. Que outros ministros do STF, políticos e artistas tinham ligações com Daniel Vorcaro.

E mesmo assim, na Globo News, víamos Malu Gaspar (aquela que descobriu a ligação do escritório da mulher do Xandão com Vorcaro), ainda preocupada com as mensagens a Alexandre de Moraes, parecer ignorar tantos outros nomes que surgiam nos levantamentos dos sigilos.

De repente, mensagens para Moraes tinham peso maior do que o áudio de cobrança de alguns milhões de um presidenciável ao mesmo banqueiro… O voo de um ministro do STF parece ter mais peso do que o de outros políticos no mesmo jato do mesmo banqueiro…

Tá certo que todo mundo quer valorizar seu filho mais do que o dos outros, mas, cegueira seletiva é uma característica muito ruim para o jornalismo. É preciso um colírio de honestidade intelectual múltiplas vezes ao dia, para tentar restaurar a visão de quem faz apurações sérias, senão vira uma várzea de blogueirinhos disputando por clicks, sem muito compromisso com a verdade, apenas a audiência pela audiência.

Vorcaro, que tinha o grupinho chamado “A Turma”, que contava com “Sicário”, para silenciar e coibir investigações jornalísticas sobre fraudes financeiras e intimidar opositores. Talvez seja um inimigo da república, no mínimo, tão grande quanto (ou maior do que) qualquer político ou ministro envolvido com ele.

Retrato em plano médio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, vestindo terno preto e camisa branca entreaberta, sentado a uma mesa de escritório com as mãos abertas e prédios urbanos visíveis pela janela ao fundo.
banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pivô das investigações e vazamentos que desencadearam a crise institucional no STF e nas eleições de 2026.

Outras pessoas citadas no caso:

André Mendonça, o novo relator do caso Master, teve agendas com Vorcaro mencionadas em relatórios da PF.

FONTES: Valor, CNN Brasil

Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin, tiveram os nomes envolvidos em trocas de mensagens de interlocutores de Vorcaro, como pedidos de audiência e articulações processuais.

FONTES: UOL, Folha de SP, CNN Brasil, Metro 1, Metrópoles

 

Andrei Rodrigues e Paulo Gonet: Centro de um turbilhão de liminares, após suspensão monocrática de Mendonça, também temos o Diretor-geral da Polícia Federal, e o icônico caso do PGR, que depois foi reconhecido por Mendonça, pela lisura na condução da conduta, em uma escabrosa sessão plenária, no STF.

FONTES: Gazeta do Povo, Estadão, Brasil 247

 

Luciano Huck: O apresentador teria sido patrocinado pelo WillBank, que era um banco digital controlado pelo Master, além de mensagens que mostram a proximidade do apresentador com Vorcaro. Que até teria cedido um avião para o apresentador ir à Ucrânia entrevistar Volodymyr Zelensky.

FONTES: Estadão, UOL, Veja

 

Portal Metrópoles: O pagamento de milhões ao portal Metrópoles foi visto pelo Coaf como movimentação atípica. A empresa alega serviços prestados, mas isso levou outros veículos de comunicação a noticiar os fatos.

FONTES: Folha de SP, Estadão

E a crise, é exclusivamente jurídica?

Enfim, é notória a crise que existe no STF, um dos pilares da democracia brasileira. A aparente inércia do presidente da corte, parece retroalimentar toda esta crise, que se estende a anos.

Mas, será que a crise é exclusiva por decisões jurídicas? Porque, não precisa muito, para lembrarmos que o ex-presidente, Jair Bolsonaro, já direcionava seus apoiadores à desconfiança da lisura das eleições (quando ele era presidente, eleito pelo mesmo e atual sistema eleitoral), ao TSE, imprensa e STF.

E chegamos às vésperas das eleições com alertas da Abin sobre os riscos de interferência americana e russa nas eleições brasileiras.

FONTES: CBN, Intercept Brasil, The Guardian, Agência Brasil

O aspirante a ditador, e atualmente, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria financiado com US$1 milhão (um milhão de Dólares), para financiar uma campanha contra o STF no Brasil… Em mais uma espécie de financiamento indireto à campanha de Flávio Bolsonaro, o suposto “candidato patriota”.

Fotografia em primeiro plano de Donald Trump vestindo terno azul-marinho, camisa branca e gravata com listras vermelhas e pretas, com expressão concentrada e boca semiaberta, em ambiente interno com fundo neutro.
Donald Trump é alvo de pedido de investigação da AGU por suposto repasse de verbas do governo americano para campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF)

Com os Estados Unidos pagando milhões em anúncios em plataformas digitais, para difamar o Brasil, seu sistema de justiça e outras coisas mais.

Tudo isso acontece enquanto o grupo dos BRICS passa a movimentar cada vez maiores montantes financeiros, no comércio global, e os EUA passam por uma crise e bate recordes na dívida pública, comprometendo mais de 125% do total do PIB.

Esta pressão interna, da dívida pública, e a externa, com o crescimento do BRICS, tem feito o presidente dos EUA escancarar sua promiscuidade (e não estamos falando do caso Epstein), política e autoritarismo, ao praticar diversos tipos de abusos e violações a acordos comerciais.

A postura do Brasil na Assembleia Geral da ONU também parece ter incomodado Trump, que, após um discurso estadista e globalista de Lula, apresentou logo em seguida um discurso de ameaças, intimidação e suas já populares mentiras internas.

E mais recentemente, no dia 2 de outubro, os EUA interromperam indefinidamente as operações na embaixada brasileira, alegando riscos de segurança.

FONTES: CBN Brasil, Metrópoles

Diante de todo este cenário, será que realmente a democracia brasileira está segura? Tanto por questões internas, quanto por interferências externas?

Os vazamentos do caso Master, que têm cheirinho de seletividade, teriam acabado? Ou será que o povo não sabe nem a metade dos escândalos envolvendo Vorcaro e Banco Master?

Será que os ataques tão raivosos e intensos do Grupo Globo ao STF, por suposta insegurança jurídica, não seria um movimento coordenado ou uma cortina de fumaça, porque eles devem saber quem mais está no celular do Vorcaro? 

Será que, assim como só recentemente descobrimos a suposta investida financeira dos EUA em campanha de desinformação, a troca de favores entre Vorcaro com Luciano Huck, poderemos descobrir mais pessoas dentro da Globo com algum tipo de relação com Vorcaro? Algum jornalista, ou a própria família Marinho?

Na Globo News, durante o programa Central das Eleições, foram levantadas as questões sobre a suposta interferência do judiciário no debate, onde reforçaram que “as regras para candidatos ausentes foram acordadas e aceitas pelos partidos dos convidados, incluindo o PT”… É interessante ver que, a partir dessa afirmação, a emissora parece tentar forçar que “qualquer regra que for aceita por duas ou mais partes, é automaticamente legalizada e válida”… Como se qualquer regra que for acordada com o Grupo Globo, torna-se automaticamente legalizada e imune a questionamentos jurídicos.

Parece um pouco autoritário e tão democrático quanto cancelar um debate de candidatos presidenciáveis às pressas, momentos após os dois principais candidatos confirmarem que não participariam, ainda que, sob alegação de insegurança jurídica.

A repetitiva alegação dos jornalistas da Globo News, sobre “os eleitores indecisos”, sobre a população não ter tido acesso às propostas dos candidatos, devido ao cancelamento do debate, realizado pela própria emissora Rede Globo, soa curiosamente prepotente.

A campanha política acontece por semanas, com candidatos se atacando e entre um ataque e outro, apresentam algumas propostas, e fazem promessas de interesse dos grupos que consideram propícios a serem seus eleitores.

Mais uma vez eu questiono, se a emissora estivesse tão preocupada com os eleitores, faz sentido cancelar o debate, em vez de realizá-lo com forma de respeito aos presidenciáveis presentes e aos eleitores que estavam em casa, aguardando para assistir?

Me parece um pouco incoerente, uma empresa que parece ter um corpo jurídico tão capacitado, alegar insegurança jurídica e deixar de fazer algo que julgam fazer tão bem, como um tradicional debate entre presidenciáveis.

Há de se concordar que tantas liminares e o tumulto causado pelas liminares em tão pouco tempo sejam grandes incômodos, mas o timing da emissora em cancelar o debate, reforça a sensação de parcialidade e favorecimento político de alguns candidatos.

A “Poderosa” (como já foi chamada várias vezes), Globo, teria total condição de realizar o debate com os candidatos presentes, não o fez porque não quis, porque não se importou com os eleitores nem com os presidenciáveis presentes.

A possibilidade de recorrer das liminares parece nunca ter sido aventada, tudo isso em favor de uma narrativa escandalosa de censura e uma narrativa sensacionalista, que deve render matérias e comentários por vários dias, mesmo depois das eleições.

E o que aconteceu com os candidatos após o cancelamento?

Após o cancelamento do debate, os presidenciáveis seguiram campanha, os presentes na emissora, aproveitaram para puxar sardinha, buscando alguns segundos a mais de tela, como Cury e Zema, criticando a atuação da justiça. Caiado também fez coro aos outros dois.

O não desejado, tampouco convidado, Renan Santos, aproveitou a oportunidade para fazer muitos cortes para redes sociais, de uma ascensão à queda astronômica, desde o sorriso animado ao saber que iria participar do debate, até o protesto em frente a emissora.

Renan soube tirar bastante proveito da situação, convidou Flávio Bolsonaro para um debate, já que estava perto da casa do presidenciável. Agitou seu eleitorado, conseguiu bons highlights, e confiante como sempre, se prepara para o segundo turno.

Flávio foi fazer uma live, criticou a intervenção da justiça, mas omitiu o fato de ter desistido do debate assim que Renan Santos foi confirmado, sendo que, enquanto apenas Caiado, cury e Zema estavam confirmados, a tabelinha da direita estava estável e controlada, a presença dele estava confirmada e sendo amplamente divulgada.

Lula optou por participar do Flow Podcast, disposto a sabotar todos os debates, o presidente em busca do quarto mandato, resolveu falar para sua própria bolha.

Uma coisa que muito se tem repercutido na internet é que, Lula teria se vingado da Globo (lembra lá do debate de 1989 contra Collor, onde ele foi sabotado pela emissora?) Pois é, a impressão que se tem é essa.

Composição com quatro painéis mostrando reações pós-cancelamento do debate eleitoral: Flávio Bolsonaro falando à imprensa no canto superior esquerdo; Renan Santos discursando com microfone em meio a manifestantes com sinalizador amarelo no superior direito; Lula sendo entrevistado no Flow Podcast no inferior esquerdo; e Ronaldo Caiado discursando em púlpito no inferior direito.
As reações pós-cancelamento: Flávio Bolsonaro concede entrevista à imprensa, Renan Santos protesta com apoiadores, Lula opta pelo Flow Podcast e Ronaldo Caiado se pronuncia a partir do estúdio.

E o que tiramos disso tudo, afinal?

No fim desta campanha, o que ficou mais claro é que, as leis eleitorais brasileiras continuam falhas e frágeis, mesmo com critérios mensuráveis, elas não parecem preservar e proteger a democracia.

Como pode um suposto debate presidenciável não ser obrigado a convidar pelo menos metade dos presidenciáveis? Nem mesmo os que apresentem maior intenção de votos?

A presença dos presidenciáveis nos debates é facultativa, e a condução dos debates parece ter rédeas frouxas em grandes emissoras, diferente do que vemos em debates online de alguns canais de Youtube, influenciadores ou a chamada mídia alternativa.

A Globo que resistiu às redes sociais, finalmente está começando a abocanhar uma parcela deste mercado, mas, em muitas áreas, segue mantendo a rigidez da TV aberta, em sua zona de conforto, e isso está começando a cobrar seu preço.

O problema é que a emissora não parece a fim de se adaptar, e como uma criança mimada, não aceita arcar com as consequências de seus atos, e como a maioria dos brasileiros, está terceirizando a culpa de seu erro, e o escolhido da vez é o STF, apelidado de “justiça brasileira”.

A conveniência das ações do Grupo Globo, com o cancelamento do grande evento democrático, e os ataques à justiça dominando os programas da Globo News, parecem, intrigantemente responsivas às campanhas coordenadas dos EUA contra a soberania e democracia brasileira.

Enquanto tudo isso acontece, a maioria de nós, brasileiros, não temos acesso aos bastidores do poder, e estamos dependentes da nossa sorte e da vontade dos poderosos do país, no âmbito político, financeiro e das comunicações.

Para 90% da população, a democracia é só um conceito. Para os demais, este conceito é formado por um conjunto de fatos que são determinados por um grupo em disputa de narrativas que lhes favorece, movimentando milhões de peças em um tabuleiro.

Agora, vamos às urnas, defender nossos interesses… Ou os interesses de algum desses grupos que disputam narrativas? Estamos mesmo informados o suficiente para escolher? Todos estamos igualmente capacitados para fazer um julgamento do que é melhor para si e para o todo?

Estamos mesmo sofrendo interferências internas e externas? Como saber se estamos? Quem poderá nos defender? O Chapolin Colorado? O Tio Sam? Nossa Senhora? Deus? Os Aliens? Ou vamos seguir segmentados, cada um por si, enquanto quem decide o futuro da maioria, parece ser uma minoria poderosa e quase oculta?

Tags: Debate PresidencialEleições 2026
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Ricardo Aurélio Januário

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