No jogo dos tronos brasileiro, tudo tem que ser performático, desde a apresentação da escola de samba às reações da oposição política.
O Carnaval sempre foi, em sua essência, um ato político. Mas o que a Acadêmicos de Niterói levou para a avenida este ano foi além da simples homenagem: foi uma crônica visual e visceral da história recente do Brasil. Abrindo o desfile com o enredo dedicado à trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, a escola não apenas contou uma biografia, mas tentou decifrar os enigmas de uma nação polarizada.
O Teatro do Poder na Comissão de Frente
A escolha da comissão de frente deu o tom da noite. Em vez de uma representação literal das personalidades que subiram a rampa com Lula em sua posse (a escola queria colocar as mesmas pessoas que subiram a rampa, mas, como a comissão de frente requer muita coreografia, o que já é difícil para os bailarinos seria ainda mais tenso para os convidados de honra), a escola optou pelo drama. Vimos uma sucessão frenética de eventos: a passagem de faixa para Dilma, o hiato de Temer e o momento sombrio da prisão de Lula.
O ápice dramático (e certamente o mais comentado) foi a figura do “Bozo” emergindo de profundezas para receber a faixa de Temer e trazer trevas à cena, o personagem palhaço personificou o antagonismo político dos últimos anos. A resolução, contudo, foi de união: a “frente ampla” das fantasias se unindo para apoiar Lula e, finalmente, subir a rampa em um coro visual de esperança, enquanto a figura de um magistrado careca colocou o palhaço atrás das grades.
E uma coisa curiosa que aconteceu com o rodar das notícias no dia seguinte, muita gente acreditando que os bailarinos com máscaras de látex eram realmente as figuras políticas (sobretudo Lula), desfilando na comissão de frente da escola. Alguns comentários indignados como “Onde já se viu o presidente de um país desfilando numa escola de samba”, ou “O presidente em vez de trabalhar fica pulando carnaval” …
Da seca ao metal: A estética do Nordeste e do trabalho
O primeiro setor da escola foi um mergulho nas raízes. O carro alegórico do Nordeste trouxe a crueza dos calangos e das ossadas, lembrando que a trajetória de Lula nasce da escassez. O contraste entre a Ala das Baianas, representando o Sol escaldante, e a ala seguinte, com as ossadas de boi, foi de um impacto visual necessário para entender a migração para São Paulo.
Essa transição culminou na Ala dos Passistas. Rompendo com a tradição de ser um espaço majoritariamente feminino, a ala trouxe homens e mulheres em fantasias prateadas e cromadas, simbolizando a metalurgia do ABC Paulista. Foi uma atualização estética bem-vinda, unindo o brilho do Carnaval à força do operariado.
Superando a polarização no ritmo da bateria
Um dos pontos mais fascinantes do desfile aconteceu nos bastidores do ritmo. Sob o comando da rainha Vanessa Rangeli, a bateria deu um show de profissionalismo. Era visível (e sabido) que muitos integrantes ali não eram eleitores do homenageado. No entanto, a paixão pela escola e o objetivo de conquistar o Grupo de Elite falaram mais alto.
A manobra de inversão dos ritmistas antes do recuo foi executada com muita fluidez. Foi um lembrete de que o Brasil, assim como uma escola de samba, precisa saber trabalhar em conjunto pelo bem comum, independentemente das convicções individuais.
Crítica social e a Pirâmide de Desigualdades
A Acadêmicos de Niterói não se esquivou da crítica ácida. O carro da Pirâmide Social foi didático: pobres na base em seus casebres, classe média protegida em condomínios e a elite no topo. Na parte traseira, o boneco do palhaço preso servia como um epílogo silencioso para o governo anterior.
As alas seguintes mantiveram o tom irônico:
“Conservadores em Conserva”: Uma crítica direta ao imobilismo de certos setores, se o tema eram os conservadores, as personagens desfilaram com fantasias de latas de conserva. “Patriotas da América”: Palhaços vestindo uma mistura das bandeiras do Brasil e dos EUA, questionando o nacionalismo de conveniência.
O encerramento e a presença do homenageado
O desfile fechou com um banho de luz. O último carro, iluminado, trouxe o busto de Lula cercado por bandeiras do Brasil com vários elementos regionais, celebrando a diversidade brasileira. A presença do próprio presidente no camarote, descendo para cumprimentar o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira na Apoteose, fechou o ciclo entre a representação artística e a realidade política.
No fim das contas, a Acadêmicos de Niterói não desfilou apenas para um partido ou para um homem; desfilou a história de um povo que, entre quedas e subidas de rampa, ainda tenta encontrar sua identidade na avenida.
É campeã?
Eu não sou nenhum especialista no assunto, mas já assisti alguns outros desfiles de Carnaval e a Acadêmicos de Niterói, a escola campeã do Grupo de Acesso, em 2025, abriu os desfiles do grupo especial este ano. O desfile foi singelo. A escola não errou em nada, teve boa evolução, alas diversificadas e coloridas, fantasias bem-feitas, que não se despedaçaram ao longo do desfile. Integrantes cantando e sorrindo (a maioria deles, alguns pareciam um tanto desconfortáveis, os que, possivelmente não eram eleitores do homenageado).
As alegorias da escola estavam bonitas, os calangos, cravejados em pedras e brilhantes foram um luxo. A bateria com uma batida constante e animada ajudava, o que eu achei um pouco truncado foi a letra. Embora a letra seja muito boa, carregada em críticas, metáforas e outros elementos que refletem o valor cultural do samba enredo, em certas partes ela parecia quebrar o metrônomo, frases um pouco mais longas, com duas ou três sílabas a mais, para manter a coerência da rima, pareciam fugir um pouco do ritmo e causava estranhamento nas primeiras cantadas, mas depois de um tempo dava para relevar.
Eu não vi uma campanha eleitoral explícita, afinal o “Olê, olê olê, olê, Lula, Lula”, é um jingle político tão antigo, que é quase se torna um epíteto. Foi um desfile bom, sem erros de execução, mas, não me pareceu um desfile de campeã. As alegorias não tinham movimentos, como as das escolas que buscam ajuda com profissionais de Parintins. Não eram feias, mas faltou aquele “tchan” a mais. A comissão de frente, realmente foi o maior destaque, muito teatral, um espetáculo digno de abertura da noite de desfiles. A escola não erou em nada, fez o básico, jogo no seguro para tentar se manter no grupo de elite, e se nenhuma outra escola tiver algum deslize, como estourar o tempo, problemas na evolução ou alegorias, dificilmente a Acadêmicos de Niterói será rebaixado.
Oposição se irrita e parte para ataques, inclusive para fake News
Como já era de se esperar, a oposição sentiu, desde a ex-primeira-dama, que criticou sobretudo o carro da pirâmide da desigualdade social, que trazia, ao final, um boneco gigante do palhaço, preso, com uma tornozeleira eletrônica presa em uma das pernas, até outros políticos que alegaram que entrarão na justiça para enquadrar o desfile da escola como propaganda eleitoral antecipada. Na minha opinião, não se enquadra como propaganda eleitoral, logo após o desfile da Acadêmicos de Niterói, a Imperatriz Leopoldinense fez uma homenagem a Ney Matogrosso, seguindo um roteiro muito parecido com o anterior, sobre a trajetória de Lula, uma narrativa cronológica, partindo de um ponto marcante da história do homenageado, e assim, fazendo uma viajem no tempo e relembrando seus pontos principais, até o persente.
Há políticos evangélicos, alegando que ouve abusos conta a fé cristã, mas, pelo que eu saiba, evangélico não vai ao Carnaval, como eles sambem? Deputado Pastor andou caindo na farra escondido das ovelhas? Ou será que só uma fake News, para criar uma narrativa atravessada e manipular as pobres ovelhinhas, nas igrejas? Afinal, ovelha quando ouve o rosnado de pastor fica até com medo de pensar, só aceita e obedece, porque, nada ensina mais sobre o amor de Cristo, do que um pastor com um cajado pronto para dar na cabeça da ovelhinha e mandar ela para o banco da igreja, não é mesmo?
Teve deputado criticando que é o povo quem está pagando pelo carnaval, até quem não participa… Assim como no passado, o povo pagava por motociata, onde nem todos participavam, e assim como todos pagamos por auxílio paletó, moradia, auxílio gráfica, correios, auxílio combustível e aluguel de carro, e só um número muito menor de pessoas tira proveito de tudo isso.
A escola ensinou sobre união, a política, aposta na polarização
Como eu disse anteriormente, a escola tinha membros que claramente, não eram eleitores do homenageado, enquanto em alguns momentos, as câmeras pegavam membros felizes, sorridentes, “fazendo o “L”, alguns tinham aparência visualmente desconfortáveis. E tudo bem, ninguém é obrigado gostar de todo mundo, quase todo mundo trabalha parra sobreviver, em empregos que não gosta, mas nem por isso, saem atacando todo mundo que está feliz nas ruas.
A escola deu uma aula sobre trabalho em equipe, em uníssono, ela trabalhou por um objetivo em comum, e um objetivo sério, a sobrevivência da escola no Grupo Especial do Maior Carnaval do Mundo.
Para mim, seria muito bom se esta fosse a lição que ficasse para o povo brasileiro, você pode não gostar do atual governo, amar o anterior, pode ser conservador progressista, de direita ou esquerda, não importa nada disso, somos mais de 200 milhões de brasileiros, a maioria, trabalha duro, levanta cedo pega ônibus lotado, é assaltado na rua, indo para o trabalho ou voltando para casa. Pagamos impostos a nível de primeiro mundo, e recebemos insegurança, atendimentos demorados na saúde, uma educação básica que não ensina nem o básico. Fora cidades como São Paulo, a maior cidade do hemisfério sul, que, se chove, alaga e fica sem energia, se não chove, falta água e a população não tem nem o direito de tomar um banho quando chega em casa.
Somo um país riquíssimo, e vocês não devem acreditar quando alguém falar que somos terceiro mundo, são mais de 200 países, estamos entre os 10 mais ricos. Temos políticos ruins, muito ruins, mas por quê? Será que é porque, diante dos problemas que eu citei, na hora de decidir o voto, a maioria dos brasileiros parece que vive em Nárnia? Como pode, uma população que tem todos estes problemas, basear o voto em político que, em vez de querer tirar o transporte público das mãos de facções criminosas, fica fazendo vídeo falando em plenário, falando sobre Palestina e Israel? Cara, você é vereador, você tem que cuidar da sua cidade, você não vai resolver nada lá no oriente médio.
Como uma população que não consegue andar na rua, sem ter medo de dois caras numa moto, aplaudir político que sobre na tribuna para falar de guerra na Ucrânia, imigrantes ilegais nos Estados Unidos, e aplaudir invasão da Venezuela, enquanto defende privatizar a segurança privada, em vez de querer aumentar o número de policiais, valorizar estes heróis, endurecer as punições para policiais que cometerem abusos, e obrigar o uso de câmeras de segurança, para que os policiais possam se defender de calúnias em casos de abordagens mais truculentas?
É preocupante, uma população, que está há anos ouvindo discursos mentirosos como o fechamento de igrejas, a infame mamadeira de piroca, kit gay e banheiros unissex, e ainda votam em pessoas que são descaradamente mentirosas, como se estas questões fossem mais importantes do que pessoas morrendo à espera de exames que levam meses para serem marcados. Idosos que não conseguem se aposentar, nem receber auxílios para sobreviver, políticos que trabalham 3 a 4 dias por semana, e são contra o fim da escala 6×1 para o pobre trabalhador.
Enquanto a prioridade do brasileirinho médio, for ecoar sua voz com o político que vai nas redes sociais apenas para repetir aquilo que ele gostaria de ouvir, estaremos presos neste ciclo maldito de parasitas, que fecham com seus financiadores, como bancada da bala, bancada evangélica, bancada do agro, que pagam menos impostos e recebem mais incentivos do que a população pobre e necessitada.
Vocês sabiam que um revólver pagava menos imposto do que um litro de leite, até novembro de 2023? E a bancada da bala, que se diz “pró vida”, tem tentado emplacar projetos de lei que facilitem a compra de armas pela população…
Igrejas não pagam impostos, como IPTU, ISS, Imposto de Renda e outros, e você paga IPTU, se ganha mais de R$5mil, paga Imposto de Renda, e ainda assim, várias igrejas têm dívidas tributárias, porque sonegam INSS e FGTS dos seus colaboradores.
E o que dizer do agro, que é um setor muito importante da economia, que recebe cerca de R$500 bilhões por ano, do governo federal, para comprar insumos e fazer investimentos, mas querem te fazer acreditar que o Brasil, uma das maiores economias do mundo, está quebrado, porque investe, por ano, cerca de R$150 bilhões no Bolsa Família? Parece um absurdo, o Bolsa família para o pobre, é menos de 30% do Bolsa Família para Latifundiário, e muitos agricultores dão o calote no governo após receber este dinheiro, mas, eles são terrivelmente contra uma família receber R$600 por mês, alguns deles acham que isso faz as pessoas não querer trabalhar… Você consegue sobreviver um mês com este valor? Eu vou ao Mercado, faço comprar para o mês, gasto cerca de R$900. Se o agro é tão contrário assim, poderiam deixar de andar em suas caminhonetes a diesel, ficar em casa e viver de Bolsa Família de R$600, já que acham difícil achar quem queira trabalhar 6×1 por R$1800…
E o que dizer da famosa “LIBEDADE DE EXPRESSÃO”? O que não falta é político e seus seguidores falando que no Brasil não vivemos mais em uma democracia, que existe uma ditadura… Depois do desfile da Acadêmicos de Niterói então, está chovendo de gente falando que se fosse ao contrário, a justiça teria intervindo. Será mesmo? Se aqui está ruim, poderíamos todos nos mudar para a terá da Liberdade, a Venezuela do Norte… Digo, os Estados Unidos, onde a Gestal…. Quero dizer, o ICE, está fazendo crianças de refém, mandando-as para campos de concentração, apenas para prender e deportar seus pais. Estão matando cidadãos americanos, alegando que estavam andando nas ruas armados, mas ué, os EUA são famosos pelo porte de arma, em alguns estados, você vai comprar um ursinho de pelúcia para sua criança e na mesma loja você pode pegar 2 fuzis para levar junto para casa. E a primeira emenda? Liberdade de religião, e liberdade de expressão? Mas quem se manifesta contra as políticas do ditador… Digo, presidente Trump, se for da imprensa, é processado, se não for figura pública, é morto ou preso pelo ICE…
É triste e difícil aceitar que entre 200 milhões de pessoas, muitas não sejam capazes de eleger nem suas prioridades, e acabem tendo a responsabilidade de eleger os governantes, que continuarão a infernizar e devastar a vida da maioria da população, que a cada dia trabalha mais e conquista menos.


